Monday, July 16, 2007

Soneto

Entorpecimento Moral

Um Louco, seja você, seja eu
Risadas crônicas, um sussurro
O crime que ninguém cometeu
Ponta da faca, singelo murro

Sensação de surto anormal
Já concretizado pelo meu ópio
Um entorpecimento moral
E no bramido, pelo imenso ódio

Face desmanchada, desfigurada
Aqui, nulidade da existência
Minha fronte desmoralizada

Sinto a cólera fluindo em mim
A estúrdia que já tomou conta

Da insanidade e agora, do fim

Por: Anderson Teodoro Fernandes

Wednesday, July 11, 2007

O velho e o moço

O poderio de um ser humano, por intermédio das palavras é encontrado com afinco no fundo de sua alma.
Não estou levando esta visão pessoal pelo lado de poesia, nem sendo um filósofo barato. Apenas, neste momento, reflito sobre a letra de uma banda cujo gosto. Estive lembrando sobre o que aconteceu a alguns dias. Já fui um “cara estranho”, já “deixei o verão” e me perguntei... “Quem sabe?”.

Recentemente tive outra experiência com um título de música desta banda. Dias atrás estive no hospital das clínicas para resolver uns assuntos cujo não vem ao caso e na fila conheci o Sr. Basílio, não tenho tanto o hábito de conversar com pessoas idosas (nada contra, é que simplesmente não tenho oportunidades) e valeu a experiência do “amigo descartável” que eu fiz.

Como somos estranhos não é mesmo? Uma hora reclamamos da vida, outra hora estamos cheios de energia, e outra hora estamos...Velhos. Tudo isto em um curto espaço de tempo, um estalar de dedos, um piscar de olhos.
Não, não temo ficar assim, foi apenas um flash repentino que veio a mente enquanto conversava com este senhor. Conversávamos sobre a vida, sobre o cotidiano, ele citou sobre as perdas dos filhos em trabalho de parto de sua esposa, sobre sua aposentadoria. Sobre sua senhora em casa o esperando para saírem mais tarde.

Futebol foi o desencadeador principal de nossa conversa. Diga-se de passagem, este senhor é tão são paulino quanto este que lhes escreve. O papo rendeu de forma inesperada enquanto aguardávamos a senha com mais de 200 pessoas a nossa frente. Seleção brasileira e sua mediocridade da CBF foram pontos fortes a serem citados durante a conversa, sem contar suas experiências como jogador de futebol no clube do São Paulo em sua juventude.

Ahhh futebol. Realmente é o ópio da sociedade, não escolhe idade, credo, cor ou religião para nosso povo apaixonado isso. Eu, um “garoto” e ele um senhor conversamos como dois moleques, rindo e se divertindo com as futilidades do dia a dia, percebia nos olhos dele que o que ele mais queria era estar conversando sobre isso com o filho que ele nunca teve, que, aliás, foi dito pelo mesmo depois do desenrolar a conversa.

Foi um dia de aprendizado. Um dia que podemos ver o tempo passando, nossa vida voando em piscar de olhos, porém, nossos desejos, vontades e diversões continuam. Realmente, a situação estava propícia ao “O velho e o moço”.
Vá em paz Sr. Basílio, continue cheio de vida e feliz do jeito que o Sr. Está.

Thursday, January 04, 2007

Questionamentos de um quebra-cabeça

Aqui estou, Aqui estou, Aqui Estou.
Estava tão bêbado que repeti três vezes isto enquanto me vejo sentado na beira da calçada meditando um pouco mais sobre o cotidiano, coçando a nuca com força e acompanhado de meus cigarros do Paraguai. Um deles está aceso em minha mão esquerda. Enquanto viro uma garrafa de vodka barata sozinho que encontrei no canto inferior da prateleira de um supermercado, cujo não me lembro mais nome de tão irrelevante que a situação se encontra.

O porque de todo este trabalho minucioso de descrever estes fatos?

Não sei, o momento nem é propício para isso, talvez seja por falta de assunto mesmo. Enquanto isso dou outro trago no cigarro, monto a minha vida com peças de quebra-cabeça imaginárias, e as frustrações momentâneas que assim como minha garrafa de vodka está chegando ao seu final.

Mas e depois?

Fico estupefato pensando como pode ser minha vida ou minha morte dentro de alguns instantes. Não acho as peças que estão faltando.
Não há nenhuma madeira para isolar estes pensamentos, sempre fui um pouco supersticioso.
Mas agora... Sem rumo, ouvindo alguns sons bem distantes, melancólicos, até esqueço-me da madeira, talvez seja um som imaginário.

Estarei eu enlouquecendo e criando uma música para a situação?

Não existem meios para poder explicar este som, algo envolvente, misturando jazz e blues. A gaita ressoa neste momento, simbolizando uma dor profunda e logo percebo uma explosão, um grito ressoando e começo a achar algumas peças que estavam faltando.
Mas não, novamente fujo deste devaneio ao dar outro gole em minha garrafa.
Já estou bêbado, e tenho plena crença que este foi um dos motivos desta libertação momentânea. Eu acredito. Acredito que a podridão me acerca. Outrora já fui feliz.

Porém, hoje o que eu sou?

Os questionamentos vêem e vão, logo perecerão em minha mente enquanto acendo outro cigarro nesta noite cinzenta e gelada. Nada é colorido, porém não me importo, já não sinto mais meu corpo sentado à beira da calçada em decorrência ao frio. A música acabou junto com os meus cigarros. Não quero ficar de pé, apenas quero repudiar meus devaneios e felicidades e continuar montando este quebra-cabeça.
Tudo ao redor fica cada vez mais desbotado e neste exato momento vejo minha garrafa de vodka vazia tilintando enquanto rola próximo aos meus pés.
Dou um pequeno sorriso para garrafa, não sei mais o motivo de ter feito isto. Apenas quero dormir, mas não tenho sono. Sinto-me totalmente contrariado ao pensar nisto.

Será que realmente foi o efeito do álcool ou o efeito de minha alma?

Procuro não pensar em mais nada, apenas encosto o meu corpo na beira da calçada enquanto meu pé esbarra na garrafa acordando-me novamente com o seu tilintar.
Novamente começo a ouvir a música, aquele misto de jazz e blues que ecoou em minha mente agora pouco. Apoio-me com dificuldade ao solo e me levanto, começando a olhar a direção da música do meio desta madrugada desbotada.
A direção da música é totalmente interrupta. A noite não parece mais tão ofuscada, sinto um prazer em ouvi-la e percebo tonalidades de cores distintas no decorrer do trajeto, não existe apenas o cinza. Há uma ponta de felicidade em mim neste instante, até chuto uma das inúmeras bitucas de cigarros jogadas ao chão e o prazer toma conta dos meus ouvidos enquanto a música ressoa, batidas melancólicas me agradam e me entristece, começo a rir alto com aquela explosão de mágoas que há em meu peito.

Apenas me resta ir embora enquanto vejo meu eu estirado ao chão com a garrafa ao lado de suas pernas sem ter conseguido montar o quebra-cabeça até o fim.
Por: Anderson Teodoro Fernandes

Friday, October 06, 2006

Alma Desalmada

Poder enxergar aquilo que jamais viveu.
E transformar seus dias em uma tamanha alegria misturada com a melancolia.
Sem pudor de acalmar seus medos e se perguntar de aquilo que não aconteceu.
Mas lembrar sobre algo que ficou e pereceu.

Comemorar o não ocorrido, focando no desmerecido.
Sem medo de viver como um cavaleiro errante e destemido.
Ao mesmo tempo em que se há por onde vangloriar de uma ordem.
E sem perder o entusiasmo pela desordem.

O orgulho o acerca onde seu ego o maltrata.
Poderia ser pelo fato do coração não ser de lata.
Sem gosto e sem sentimento pela amada.
Armada na calada da alma desalmada.

Gritando na sua perda, não triste e sim otimista.
No fim do horizonte que é aonde eu a perdi de vista.
E lembrarei do apogeu dos meus sentimentos.
Encarando a verdadeira frieza a cada momento.

Dando o melhor de si com fragmentos de ideais mortos
Perdendo-se em pensamentos de fragmentos insólitos.
Onde, por um momento, tudo se perdeu e tudo se encontrou.
Da amarga plenitude que se procurou.

Agarrar-me com franqueza nas memórias.
Sorrindo para as situações que se tornaram histórias.
Enxergando como um eterno brilho, com apenas um olhar.
Enquanto vira-se de costas e dirige-se ao seu lar.


Por: Anderson Teodoro Fernandes

Monday, September 18, 2006

Miragens de uma história solitária.


Não me convenci ainda que minha história não tem personagens.
Enquanto isto, irei rir pela má opinião formada.
Cômico? Cônico? Abusivo? Sei lá.
Sarcasmos elevados ao um grito, sorrindo, Ferido. Já.


Minha história foi forjada por alguém que me manipulou.
Idéias largadas, ao mesmo tempo em que o bom senso se matou.
Simultaneamente eu olhei e enxerguei de forma alheia à dita opinião.Mas cadê? E aquela solução?


Já não entendo o lado cômico, apenas dou uma risada infame.
Aonde a minha e a sua vida passará por um exame.
Pode-se rir, pode-se chorar. Confusão? Mancadas? Tesão?
Não mais.


Bobagens românticas entrelaçadas no subconsciente.
Encarando-as em uma linha de frente.
Miragens de uma história solitária repleta de personagens.
Sobrevivendo aos poucos, alem das margens.


Ressoa a risada nos quatro cantos da sala.
Dentro de mim alguém fala.
Não entendo seus significados, não entendo as palavras, pressinto assuntos da memória.
Lembro-me que não completei a minha e a sua história.


O chão abaixo desabou como uma triste e singela lembrança.
Manipulado novamente, fui desacreditando daquela esperança.
Dei mais uma risada e olhei para o alto.

Vi minha imagem dando um pequeno salto.

Era o abismo do final da história.
Lembranças? Não! Pequenas memórias. Momentos? Fragmentos!
De repente não havia mais imagem.
E na história nunca houve os personagens.


Por: Anderson Teodoro Fernandes

Monday, September 11, 2006

Bad MotherFucker


Pensem comigo, você alguma vez cheirou cocaína até ter uma overdose e te aplicaram uma injeção de adrenalina para acordar? (sem contar que esta injeção é no coração e precisa atravessar um osso que fica na frente do coração, ou seja, deve ser aplicada com força, como se fosse um punhal). Antes de pensar em algo parecido imagine uma situação de dois gângsteres mercenários debochados cujo discutem sobre as maiores inutilidades do cotidiano.

Lembrando que um deles é filósofo e possui manias "estranhas" antes de assassinar alguém (um cara que dita um trecho da bíblia antes de cometer tal ato não deve ser normal). Vale lembrar que o mesmo ainda é folgado ao extremo impondo suas razões com seu "Sr. Nove Milímetros" apontada na cara de vítima. Apenas citando que esta produção é uma homenagem à literatura pulp dos anos 40 (repare o livro que Vicent Vega (John Travolta) está lendo durante a trama).

Feito de uma forma não-linear a primeira impressão que você possui é de um filme confuso e sem nexo, cujo você mesmo precisa encaixar as peças do quebra cabeça para a compreensão da trama. Sem contar o fato de possuir três histórias paralelas. E acrescentando que possui uma maravilhosa trilha sonora.

Só me digam uma coisa, alguém sabe o que tinha na maldita maleta? Rumores diziam que era ouro. Outros comentavam até em ser a alma de Macerllus Wallace (pode parecer loucura, mas a teoria disto é uma longa história e foi algo tão bem feito que ouve uma repercussão considerável na época), mas o próprio diretor disse que o clima de suspense continuará a ser mantido. Certa vez ele comentou que poderia ser as Jóias do "Cães de Aluguel" (seu primeiro filme, mais do que recomendando também), mas acredito que isto continuará sendo um mistério.

Só uma coisa eu não entendo. Porque a personagem Mia Wallace (Uma Thurman) possui tanto destaque da capa das fitas ou Dvd? Sua participação é bem pequena (porém interessante, devo admitir que a cena da overdose é inesquecível) no filme.
Agora volto a perguntar, você rouba carros, entra em tiroteios, transa com prostitutas com freqüência e bate nelas? Se a resposta for não, é por que você precisa conhecer os filmes deste grande cineasta, não é babação de ovo para lado dele não. Apenas posso citar que ele possui idéias mirabolantes e diálogos impecáveis em suas obras, sem falar que tudo isto é baseado meramente em cultura pop, recheada e violência e muito humor negro. Neste ponto ele é o mestre e mereceu destaque hoje. Afinal, ele é sem sombra de dúvida, ele é uma das poucas mentes realmente criativas do cinema norte americano.Outro dia falarei de seus demais filmes (como o mais recente Kill Bill, este filme é outro que merece uma matéria à parte).

Ficha Técnica Título Original: Pulp Fiction
Gênero: Policial
Tempo de Duração: 154 minutos
Ano de Lançamento (EUA): 1994
Estúdio: Miramax Films / Jersey Films
Distribuição: Miramax Films
Direção: Quentin Tarantino
Roteiro: Quentin Tarantino, baseado em estória de Roger Avary e Quentin Tarantino
Produção: Lawrence Bender
Direção de Fotografia: Andrzej Sekula
Desenho de Produção: David Wasco
Direção de Arte: Charles Collum
Figurino: Betsy Heimann
Edição: Sally Menke

Por: Anderson Teodoro Fernandes

Tuesday, September 05, 2006

DADAÍSMO

Formado em 1916 em Zurique por jovens franceses e alemães que, se tivessem permanecido em seus respectivos países, teriam sido convocados para o serviço militar, o Dada foi um movimento de negação. Durante a Primeira Guerra Mundial, artistas de várias nacionalidades, exilados na Suíça, eram contrários ao envolvimento dos seus próprios países na guerra.

Fundaram um movimento literário para expressar suas decepções em relação a incapacidade da ciências, religião, filosofia que se revelaram pouco eficazes em evitar a destruição da Europa. A palavra Dada foi descoberta acidentalmente por Hugo Ball e por Tzara Tristan num dicionário alemão-francês. Dada é uma palavra francesa que significa na linguagem infantil "cavalo de pau". Esse nome escolhido não fazia sentido, assim como a arte que perdera todo o sentido diante da irracionalidade da guerra.
Olá meus frequentadores preferidos e psicológicamente amaldiçoados, coloquei este breve relato sobre o Dadaísmo para explicar um pouco sobre esta cultura "nada a ver" e com o propósito de mostrar-lhes minha primeira poesia Dadaísta.
Sim, ela foi feita com palavras aleatórias que vieram em minha mente em um momento de reflexão (ao som de um jazz) na sala de aula. Como temos que particupar da semana de letras da faculdade o tema proposto foi este.
Já aproveito para não deixar desatualizado e ao mesmo tempo já divulgo mais um "trabalho".
Grato
Palavras utilizadas: (Das quais vieram a mente no momento da construção poética)
1 - Retrato
2 - Informalidade
3 - Amargura
4 - Momentos
5 - Injúria
6 - Bucolismo
7 - Cigarro
8 - Sinos
9 - Lucidez
10 - Paixão
11 - Ósculo
12 - Destino
13 - Viagem
14 - Destreza
15 - Música
16 - Álcool
17 - Solidão

Retrato de Informalidade
Amargura? momentos de injúria?
Ao Bucolismo, um cigarro.
Sinos...
Da lucidez, uma paixão.
Do ósculo, um destino.
Da Viagem, uma destreza.
Música... Álcool... Solidão...
Por: Anderson Teodoro Fernandes